Influenciada pelos Jogos do Rio, nova geração desponta no estilo greco-romano





Davi Albino (à esquerda), bronze em Lauro de Freitas, mantém o sonho da classificação olímpica. Foto: Mayara Ananias/Divulgação

Joílson (abaixo) conquistou a medalha de prata na Bahia. Foto: Robbert Wijtman/UWW



06/05/2017
Joílson Júnior superou atletas mais experientes para levar a prata no Pan-Americano de Wrestling, em Lauro de Freitas. Entre as mulheres, duas pratas e um bronze para o Brasil
Em agosto do ano passado, o Brasil comemorava a classificação de cinco atletas nas lutas para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, número recorde para o país na história do evento. Até então, as esperanças nacionais de um pódio inédito estavam depositadas nas mulheres. O único representante na competição masculina era Eduard Soghomonyan, da Armênia e naturalizado brasileiro. A experiência do cenário olímpico, no entanto, foi estendida para além dos convocados. O que muitos viram, mesmo de fora dos tapetes oficiais, reforçou o empenho de uma nova geração no estilo greco-romano, que começa a mostrar resultados.
É o caso de Joílson Júnior (66kg), de apenas 19 anos, campeão pan-americano júnior em 2016. O atleta, nascido em Niterói (RJ), ainda compete em eventos da categoria júnior, mas, com resultados de destaque também no sênior, começa a ser visto como forte promessa da modalidade para o ciclo olímpico de Tóquio-2020. “Às vezes acho que não tenho potencial para chegar às Olimpíadas, mas tenho que treinar mais e acreditar nisso”, reconhece o lutador, que estreou entre os adultos no Grand Prix de Paris, em 2016, já com uma medalha de bronze, e neste sábado (6.5) faturou a prata no Pan-Americano, em Lauro de Freitas (BA), também diante de atletas mais experientes.
“Eles são mais fortes porque têm mais tempo de treino, mas eu me sinto com menos pressão e acabo lutando melhor por isso”, conta. “Aqui já estou conhecendo meus prováveis oponentes de 2020, e isso dá experiência. Vou mudando minha tática de luta até achar meu ponto certo”, acrescenta. Na Bahia, Joílson chegou à decisão após vencer José Betancourt, do Equador, nas quartas de final, e George Batis, de Honduras, na semifinal. A única derrota foi para o cubano Miguel Martinez, campeão também da última edição do continental e que disputou as Olimpíadas do Rio.
Com o objetivo bem definido para o que almeja nos próximos anos, Joílson descarta as tentações para outro caminho que poderia tomar no esporte. “Meu pai me fala para ir para o MMA, mas respondo que não gosto de levar soco e dar murro. Quero ser atleta olímpico, é o meu sonho”, anima-se.
Tanta vontade ganhou mais propulsão durante os Jogos do Rio, quando integrou o projeto Vivência Olímpica, do Comitê Olímpico do Brasil (COB). “Foi irado demais! Aquilo ali marcou a minha vida em tudo”, conta o atleta, que participou da cerimônia de abertura e conheceu a Vila Olímpica. “Eu curti mais que um atleta, que só compete e vai embora. Vi campeões olímpicos passando do meu lado, vi o Michael Phelps, e fiquei brincando que também era atleta porque estava com a roupa dos Jogos”, diverte-se.
“O refeitório era enorme e tinha muita, muita comida. Fiquei perdido lá, podendo comer à vontade porque não precisaria me pesar. Eu nunca mais vou esquecer aquilo. Se Deus quiser, vou vivenciar uma Olimpíada como atleta, mas isso vai ser sempre marcante para mim”, acredita. A partir do que viu e do que ouviu no ambiente dos Jogos, Joílson entendeu os rumos que deveria tomar. “Aquilo ali me deu ânimo, força, fé. Comecei a levar meu treinamento mais a sério, vi que era possível”, explica o lutador, que treina no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes (Cefan), da Marinha, e neste ano ainda disputa o Pan-Americano e o Mundial da categoria júnior.
Evolução do esporte
Além da medalha de Joílson, Ângelo Moreira (75kg) e Davi Albino (98kg) também subiram ao pódio das disputas do estilo greco-romano em Lauro de Freitas, ambos com medalhas de bronze. Kenedy Pedrosa (71kg), de 22 anos, também chegou a brigar pelo bronze, mas acabou derrotado pelo argentino Francisco Barrio. “O nível da América aumentou muito, e o Brasil disputar quatro medalhas no greco-romano mostra que o esporte evoluiu aqui. Há alguns anos a gente ganhava uma ou duas lutas”, compara Davi Albino.
“Esta foi a primeira competição forte do ciclo olímpico para Tóquio. As seleções estão testando os seus atletas, e isso é muito bom porque é a renovação do esporte. Está vindo aí uma nova safra muito boa”, avalia o atleta de 31 anos, que aproveita para passar experiência aos mais jovens. “Quando você luta se divertindo, por amor, a vitória vem. Eu falei para eles aproveitarem que são jovens e lutarem sem cobrança. Conversamos ontem e hoje, e está aí o resultado”, comemora.
Para o presidente da Confederação Brasileira de Wrestling (CBW), Pedro Gama Filho, a nova geração de atletas é promessa não apenas para Tóquio. “Eles vão chegar mais fortes e numa idade menor. Tenho esperanças também para o ciclo adiante de que teremos grandes alegrias com esses meninos”, acredita. “Os Jogos no Brasil afetaram indiretamente muitos jovens que treinam no nosso centro e que tiveram a oportunidade, por exemplo, de treinar com a equipe greco-romana de Cuba. Certamente isso vai ter um reflexo na carreira deles no futuro”, projeta.
O próprio Davi Albino, bronze nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e que no ano passado amargou a não classificação para os Jogos Olímpicos, mantém vivo o sonho, principalmente após ter participado do evento como sparring de Eduard Soghomonyan. “Já penso em Tóquio desde agosto do ano passado, quando não consegui me classificar”, admite. “A minha vida nunca foi fácil, sempre foi dura, desde criança. Não ter me classificado para as Olimpíadas foi só mais um obstáculo que espero superar em 2020”, adianta o atleta, que chegou a morar na rua e a cuidar de carros antes de ser descoberto para o esporte.
“Enquanto eu me mantiver em alto nível, conseguindo ganhar medalhas representando o Brasil, vou continuar me dedicando”, assegura Davi, que já dispensou convites para o MMA. “Eu tenho o sonho olímpico e vou perseguir até os últimos dias que eu aguentar lutar. Se tenho oportunidade e o apoio da Marinha para representar o Brasil em Tóquio, vou me manter exclusivamente na greco-romana, para não perder o foco na medalha olímpica. A realização pessoal é melhor do que a realização financeira”, opina.
Visibilidade e estrutura
Outra mudança de patamar vislumbrada após os Jogos foi em relação à divulgação do esporte para o público. “A luta agora já está conhecida, já temos pessoas que identificam como uma luta que esteve nas Olimpíadas. Isso é um legado incrível para nós, o aumento do número de praticantes, de fãs e de oportunidades”, destaca o superintendente da CBW, Roberto Leitão, ressaltando ainda o ganho estrutural que a modalidade teve nos últimos anos.
Parte do material usado no Pan-Americano da Bahia foi o que esteve nos Jogos do Rio, como tapetes, bonecos de treinamento, placares e equipamentos de arbitragem. Além disso, por meio de convênios com o Ministério do Esporte nos últimos anos, foram comprados kits para estruturar centros de treinamento pelo país. “Temos uma estrutura de 130 tapetes, equipamentos de última geração e atletas já colocados no ranking mundial, o que não tínhamos há 10 anos. Também temos o conhecimento da equipe, a capacidade de realização de eventos, com pessoas que trabalharam nos eventos-teste e nos Jogos Olímpicos. As Olimpíadas trouxeram isso para o nosso esporte”, analisa Leitão.
Segundo o presidente da CBW, a inserção das lutas na Rede Nacional de Treinamento é o que vem permitindo a continuação da preparação da equipe. “Antes dos Jogos, a gente teve a chance de estruturar nossas federações estaduais, então a gente consegue manter o nível de treinamento”, explica Pedro Gama Filho. “Com a compra dos tapetes e dos bonecos, nossos atletas conseguem treinar e competir localmente, e isso faz toda a diferença”, acrescenta.
Também parte da Rede Nacional, o Centro Pan-Americano de Judô foi inaugurado em 2014, fruto de um investimento de R$ 43,2 milhões do Ministério do Esporte, do estado da Bahia e da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), administradora do local, e vem recebendo competições dos dois esportes. O complexo tem 20 mil metros quadrados de área construída e, além do ginásio, conta com arquibancadas para 1.900 pessoas, alojamentos para 72 atletas, quadra poliesportiva, academia, restaurante, auditório e salas de apoio.
Resultados
Ainda no período da manhã, André Pinto (80kg) ficou em 6º lugar, Calebe Correa (59kg) e Ronisson Brandão terminaram em 7º, e Antônio dos Santos (130kg) ficou com a 8ª colocação. O Brasil ficou em terceiro lugar por equipes no estilo greco-romano, atrás dos Estados Unidos e de Cuba.
Na parte da tarde foi a vez das disputas de wrestling feminino. Ouro na edição passada, Lais Nunes (63kg) encarou a cubana Yaquelin Elizastigue logo na primeira luta e não conseguiu avançar na competição. Já Caroline Soares (48kg) ficou com o bronze ao vencer, de virada, a venezuelana Dubraika Rodriguez.
As medalhas de prata para o Brasil ficaram por conta de Aline Silva (75kg), que perdeu apenas para a canadense Justina Di Stasio, em um sistema em que todas lutavam contra todas, e Dailane Reis (69kg), derrotada na final pela canadense Olivia Di Bacco. Giullia Penalber (53kg), prata no ano passado, chegou à disputa pelo bronze, mas caiu diante de Luisa Valverde, do Equador.
“Estou feliz. Subi de categoria e lutei na nova pela primeira vez. O presente não poderia ser melhor”, comemorou Dailane. “É minha primeira competição internacional do ano, e eu precisava pontuar bem no ranking. Para mim foi muito bom conseguir esse resultado em uma competição de nível tão forte”, analisou Aline, após cinco lutas até a medalha.
Neste domingo serão realizados os combates do estilo livre masculino, com eliminatórias às 10h e as finais a partir das 17h.
De Lauro de Freitas (BA), Ana Cláudia Felizola, brasil2016.gov.br




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